A preto está o texto do primo, a bordeaux o da prima :) aguardamos os vossos comentários!
O amor não é feio!
(Bem pode ser feio como também pode ser belo)
Um perfume que o caracterize
entre gotas de um oceano que se complete
entre antíteses que se banham num prazer sem limites...
Um amor que se perfuma na espuma do desejo...
Um amor que morre no fio da navalha...
Um amor que se esgota num sorriso...
...amor feio que morre num soluço...
E mesmo que o amor faísque e termine na vaga intenção,
no platonismo das ideias,
no secretismo do cofre do peito,
que delícias guarda no doce aroma com que inebria a alma...
Amor feio não é amor:
é desejo atroz,
é vício incontrolável,
é posse, é egoísmo...
torna a pessoa em objecto amado.
É dar a morte ao outro, e Amor é Vida!
Numa chama de fósforo o amor chama,
em sofrimento apela à doce tentação,
sobre um pilar de dois tempos...
o do desejo e o do romance!
Juntos serão sempre a perfeição da onda que rebenta suavemente,
separados são a vaga que destrói,
ou a calmaria que afoga a paixão...
O amor que morre pelo amor,
na imensidão do deserto,
na busca do mais puro néctar da vida,
na procura do doce mel dos lábios,
do sorriso que suspira,
do olhar que transpira,
do corpo que cede
numa magia incerta...olhos negros...
E sempre o doce correr dos dedos pela pele,
o encaixe perfeito dos lábios no pescoço,
as mãos que suavemente pousam na cintura fina...
Incessantemente buscamos a vertigem da paixão, a corrida do coração...
Trémulas, as mãos soltas que percorrem o corpo transpirado,
um calor que magnetiza a alma,
que dissipa o nevoeiro do seu caminho...
Sedento descasca a laranja sumarenta...gomo a gomo...num sabor interminável e perdido de desejo...
O amor sobrevive e mata a sede,
mesmo que apenas nos sonhos do sequioso moribundo,
abandonado à errância das uniões impossíveis!
Amor é alimento, mesmo na solidão desamparada das solitárias horas,
mesmo na amputada plenitude dos olhares distantes...
Olhares que se perdem no leve traço da pele perfumada,
sobre as linhas das letras que se cozem enamoradas na folha de papel branco,
palavras que se desenrolam sobre a sede das gargantas apaixonadas...
e, mais que depressa, se desprendem da alma,
sem controlo, sem filtro,
sem morada certa nos recantos do coração!
É a febre da urgência, que atropela os sentidos,
que centrifuga a razão, que branqueia a memória!
Palavras que ressuscitam,
palavras que matam com atavios de seda...
Palavras de amor caem a seus pés...como gotas de chuva.
Restam os momentos dos sorrisos, dos beijos,
dos salpicos e das gotas que delineavam a frescura da silhueta.
São temporais que aguardarão sempre novas auroras...porque o Amor nunca é feio.
(Num palco onde morre, torna-se feio e efémero.)
Lágrimas de sangue que mancham a seda da pele
são meras amálgamas de emoções que amarrotam a alma,
já sem a pureza da partilha...gotas que prenunciam novos viçosos rebentos de Primavera!
Olhos negros de Março, um príncipe distante, calcorreando desertos...
Traz com ele a nuvem quente do Siroco, augúrio de tardes ardentes,
de lábios molhados e de gestos que pousam na pele,
asas de borboleta num breve roçar do destino...
Uma mulher enigmática,
dois seres de opostos pólos, em busca do toque que lhes una as almas...
A lava ferve os corpos na montanha, esculpindo o corpo e a mente do ser...
23.01.2012




